05 de agosto de 2026
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A música da Guarda Popular que todos copiaram

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Lançada em 2008, durante a campanha gloriosa da Copa Sul-Americana, a música “Camisa Vermelha”, tema da Guarda Popular inspirado em “Pelados em Santos”, dos Mamonas Assassinas, virou uma das canções mais cantadas não só no Beira-Rio, mas em muitos estádios espalhados pelo Brasil. Com o tempo, a versão colorada, que para muita gente já é praticamente um segundo hino do clube, passou a ser adaptada por diversas torcidas. Agora, durante a Copa do Mundo, até a torcida brasileira criou uma versão para a Seleção.

E a nota da comunidade nesse tweet sobre o assunto me tirou uma boa risada.

Aqui entra uma observação importante: os flamenguistas que conheci pessoalmente são bem diferentes da webtorcida do Flamengo. E aqui deixo claro que falo exclusivamente do torcedor flamenguista médio nos comentários das redes sociais. Essa galera tem uma síndrome de protagonista bizarra. Tudo parece precisar começar, passar ou terminar no Flamengo.

Só que, nesse caso, não foi bem assim.

Além do Flamengo, diversos outros clubes adaptaram a música colorada. Torcidas de Bahia, Ceará, Cruzeiro, Sport e outros clubes brasileiros também criaram suas versões. Fora do Brasil, a canção também atravessou fronteiras: torcedores do Instituto de Córdoba, da Argentina, além de Braga e Sporting, de Portugal, também têm adaptações da música.

Ou seja, não estamos falando de uma melodia que simplesmente foi usada por uma ou outra torcida. Estamos falando de uma versão que nasceu no Beira-Rio, ganhou força com a Guarda Popular, se espalhou pelo futebol brasileiro e acabou chegando até outros países. A partir da adaptação colorada, outras arquibancadas pegaram a estrutura, trocaram as referências, mudaram as cores, substituíram o Gigante, a camisa vermelha e o Internacional pelos seus próprios símbolos, mas mantiveram a essência da música que foi popularizada pela torcida do Inter.

E talvez esse seja o maior mérito da Guarda Popular nesse caso. A torcida conseguiu pegar uma música extremamente conhecida da cultura popular brasileira, transformar em canto de arquibancada e fazer com que ela deixasse de ser apenas uma paródia colorada para virar uma espécie de modelo replicado por outras torcidas. “Camisa Vermelha” não virou grande só porque é cantada pelo Inter. Ela virou grande porque atravessou o Beira-Rio, foi apropriada por rivais, copiada por outros clubes, adaptada em outros países e, anos depois, chegou até a uma versão para a Seleção Brasileira.

No fim, isso diz muito sobre a força da música. A Guarda Popular conseguiu transformar “Pelados em Santos” em uma das melodias mais populares do futebol brasileiro. E, por mais que algumas torcidas tentem reivindicar o protagonismo dessa história, a origem da febre nas arquibancadas passa, obrigatoriamente, pelo Beira-Rio e pela camisa vermelha.

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